É proibido pensar!



É proibido pensar!



Atos 17.28: Pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dos poetas de vocês: Também somos descendência dele.


Hoje pela manhã quando eu saia de casa para o trabalho parei em uma padaria para tomar café. De repente uma funcionária começa a falar bem alto: “Esta vendo aquele rapaz ali escorado no poste. Ele era uma pessoa sadia, desde que entrou na igreja evangélica, ficou assim. Ele endoidou, parece que bateu com a cabeça, aliás, a mãe dele me disse que já o viu batendo a cabeça na parede várias vezes”. No mesmo instante eu estava escutando uma música de João Alexandre, por título: É proibido pensar. Eis o motivo base para escrever este artigo.
Vivemos em uma época confusa, inseridos em mundo cada vez mais perdido em suas escolhas mesquinhas e sem sentido. Ora somos os praticantes, ora somos vítimas da geração extravagante. É um período da história onde a maioria, por não se dizer todas as atividades, são desempenhadas em uma velocidade alucinante. Há alguns anos atrás éramos o futuro da nação, depois passamos a ser chamados de geração coca-cola, e agora não sabemos ao certo o que somos. Como diz John Stott: 1 “Os Jovens têm a tendência de serem ativistas dedicados na defesa de uma causa, todavia nem sempre verificam com cuidado se sua causa é um fim digno de sua dedicação, ou se o modo como procedem é o melhor meio para alcançá-lo”. Esta é a geração do gasto compulsivo e descontrolado, que relativiza a verdade e a graça de Deus, do grupo de pensadores que não se importam em pensar, geração fast food, somos ou ao menos estamos introduzidos no meio dos "tolerantes" religiosos (para um melhor entendimento), daqueles que fazem as coisas por uma questão de conveniência. Estamos na época da doutrina mirrada, dos louvores desconexos, e principalmente do descaso com a ação social, embora até certo ponto sejamos bons assistencialistas. Na mesma obra Stott faz uma citação: 2Mordecai Richler, um comentarista canadense, foi muito claro a esse respeito: “O que me faz Ter medo com respeito a esta geração é o quanto ela se apóia na ignorância. Se o desconhecimento geral continuar a crescer, algum dia alguém se levantará de um povoado por aí dizendo Ter inventado... a roda”. Este raciocínio faz sentido quando observamos o comportamento dos jovens brasileiros, muitos se embriagam se drogam, se prostituem, outros pagam altos encargos tributários, apóiam algum tipo de causa sem necessariamente considerar o que estão fazendo, qual o propósito ou o para que. É literalmente se cortar sem saber a finalidade. Parece se é que de fato não vivemos a filosofia de que é proibido pensar. O agravante disso é que exteriorizamos o que há no nosso interior, deste ponto de vista, parece não residir absolutamente nada dentro desta geração.


Na Grécia antiga o evangelho na compreensão de cristianismo era apenas uma filosofia, em Roma se tornou uma instituição, na Europa uma tradição, nos EUA um grande empreendimento e no Brasil como já era de se esperar em um grande comércio e palco de eventos. Evangelho no Brasil virou consórcio, mega sena acumulada, baú da felicidade, pequenas igrejas grandes negócios.  O foco esta se deteriorando muito rapidamente, as metas traçadas (igrejas/empresas) estão longe de ser alcançadas, sem levar em consideração os enormes déficits, não apenas financeira e numericamente, mas especialmente de pessoas que necessitam de cura, e estão saindo das pseudo-“igrejas” ainda mais amarguradas, e se lançado no lamaçal que já as ultrajaram durante anos. É bem verdade que a rádio cristã e o Filme Jesus contribuíram maravilhosamente para a propagação do evangelho do reino, que ainda há pessoas sérias proclamando as boas novas do evangelho da graça de nosso Senhor Jesus Cristo, todavia são suficientes para suprir a vasta demanda de pessoas que carecem ouvir uma vez sequer da mensagem da salvação. É necessário entender que isto é uma parte do todo, e que o evangelho do reino vai além das palavras ditas, dos folhetos distribuídos, ele é de fato uma reflexão prática, que gera uma reação na vida daqueles que se deparam com ele, e que nem tudo vai bem com a igreja que faz demais (Igreja de Tiatira - Apocalipse 2.18-29). Mas, como filhos de Deus, e membros do Seu reino, nós precisamos ter uma visão mais abrangente, precisamos corrigir as nossas lentes espirituais. Precisamos sair do nível de assistencialistas temporários, da mediocridade de idéias e nos envolvermos de maneira mais íntima, mais profunda e consistente com os problemas e necessidades da sociedade, e sermos os samaritanos na estrada, tecendo um caminho sobremodo maravilhoso, socorrendo sem olhar aquém. 
Alguns cientistas sociais defendem que um grupo é constituído de duas ou mais pessoas, que dois ou mais grupos formam uma comunidade, e que várias comunidades resultam na sociedade. Seguindo esta linha de raciocínio podemos dizer que os departamentos internos de uma igreja (crianças, adolescentes, jovens, senhoras, etc.) são os grupos e que a unidade destes constitui uma comunidade. Uma vez que a igreja do Senhor é uma comunidade ela esta inserida na sociedade que não se restringe ao ajuntamento de outras denominações, mas na inclusão do pobre, do analfabeto, do mendigo, do órfão, da viúva, da prostituta, do homossexual, do prisioneiro, do político, do empresário, do funcionário, do professor universitário, do patrão, do funcionário, do mestiço, do negro, do branco, do índio, do pai de família, e de cada ser humano que constitui um grupo, que por sua vez forma uma comunidade e que resulta na sociedade. Sendo assim precisamos sair da miséria de ensino que nos alimentamos e que estamos nutrindo a outros, e partimros para uma reflexão prática.
Não é de se estranhar como o discurso do apóstolo Paulo no areópago contrasta com a realidade dos nossos dias. Enquanto os poetas e pensadores daquela geração, (embora cegos pelo pecado, uma rara característica comum aos poetas e pensadores do século XXI), esbanjavam conhecimento ao ponto de retratarem o próprio Deus vivo: 3 Pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dos poetas de vocês: Também somos descendência dele”, ainda que não O conhecessem no sentido de regeneração, e apenas por temor, por ter esquecido algum deus, eis ai a razão de AO DEUS DESCONHECIDO. 4Pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio”. Nos dias atuais somos quase que coagidos a ouvir, e de certa forma impelidos a viver conforme as poesias e canções dos “nossos” poetas: “deixa a vida me levar, vida leva eu”, ou quem sabe: “To nem ai, to nem ai...”, ou ainda: “Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem...”, vivemos tão dentro desta realidade que literalmente fechamos os olhos para não ver passar o tempo, somos cegos não fisicamente, mas no nosso dia a dia, quando não enfrentamos de maneira transformadora, com o evangelho que liberta o homem de sua situação miserável. Somos débeis de pensamento quando não ponderamos à realidade de uma quantidade de pessoas que estão atoladas em culpa, pobreza, falta de atenção, desempregadas, sem instrução, antes escravizadas pelo vício e pela falta de perspectiva de uma vida melhor. Somos cegos de ser e de alma. Isso não é apenas pelo fato de vivermos na geração do proibido pensar, mas sem dúvida alguma a falta de uso daquilo que nos diferencia como seres criados por Deus, que é a consciência. E não ela por si mesma, mas dependente do Cristo libertador. É necessária reflexão especialmente aquela que resulte em ações transformadas e beneficentes a vida do ser humano. Tudo isso é no mínimo parte integrante de um mundo que caminha a passos largos para o caminho da perdição. Assim cabe a nós não apenas pensar (no sentido meramente intelectivo), pois como diz Sproul: 5 “Pensar em não pensar é impensável”, mas por em prática aquilo que dizemos acreditar. É afirmar como um sábio ancião já disse: “a verdade não está na doutrina sem vida, nem na vida sem doutrina, antes está na doutrina que orienta a vida, e na vida que expressa à doutrina”. Assim somos incumbidos 6 “Antes, santifiquem Cristo como Senhor em seu coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês”. Que o Pai de Eterno amor nos ajude a caminhar!






1 e 2 - Crer é também pensar, John R. W. Stott, pág. 02, Editora: ABU, capítulo: Cristianismo de mente vazia;

3 - Atos 17.28 – Nova Versão Internacional;
4 – Atos 17.23 – Nova Versão Internacional;
5 - Filosofia para iniciantes - Editora Cultura Cristã, R.C.Sproul;

6 - I Pedro 3.15 - Nva Versão Internacional;


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