José: Quando o Sofrer Faz Bem a Alma e ao Coração



José: Quando o Sofrer Faz Bem a Alma e ao Coração


José era o filho amado/favorito de Jacó (Israel) “Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice;” (Gênesis 37.3a), por isso era odiado “Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente.” (Gênesis 37.4) pelos seus irmãos (atormentados no âmago do ser, revestidos de um terrível sentimento de inveja e ciúmes) que desejavam matá-lo “De longe o viram e, antes que chegasse, conspiraram contra ele para o matar.” (Gênesis 37.18), mas que por um momento de “lucidez” ou de astúcia sofisticada (uma vez que ele consentiu com o abandono e desprezo para com José) do seu irmão mais velho Rúben, ou melhor, por providência e propósito de Deus foi poupado “Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles e disse: Não lhe tiremos a vida.” (Gênesis 37.21). José foi vendido como escravo e levado para o Egito “E, passando os mercadores midianitas, os irmãos de José o alçaram, e o tiraram da cisterna, e o venderam por vinte siclos de prata aos ismaelitas; estes levaram José ao Egito” (Gênesis 37.28).

José fora traído, maltratado e humilhado por seus entes mais queridos, ou seja, pelos próprios irmãos. Foi comprado por um povo inimigo e levado para uma terra de língua/idioma, cultura e costumes diferentes/estranhos aos seus. No Egito “1José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá. 2b O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero;” (Gênesis 39.1-2b). Após isto José foi preso injustamente sendo alvo de acusações caluniosas/mentirosas e quando as circunstâncias pareciam apontar para uma direção que não haveria mais a possibilidade do livramento, ao passo que a situação dava mostras claras de que José sofreria ainda algo pior então “O SENHOR, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro;” (Gênesis 39.21).

É (foi) no Egito para além dos horizontes do seu lar, distante dos braços e do cuidado amoroso do pai (Jacó/Israel), no meio de um povo e de uma cultura diferente, politeísta e escravagista que Deus fortaleceu a vida de José, fazendo dele instrumento de salvação do seu povo da morte pela fome, inclusive dos seus irmãos que o perseguiram. José se tornaria governador do Egito (Gênesis 41.37-57), estando abaixo unicamente do Faraó. Todavia o que nos chama a atenção em José não era sua posição profissional, o cargo que ocupava, e todas as nuances elitistas de uma vida governamental. Mas o seu estilo de vida, o seu caráter ímpar, o modo pelo qual em meio às adversidades ele chamou a sua vida a existência, de como conseguiu caminhar bem em uma estrada que lhe apareceu perversa.


Assim, ao contrário do que se poderia esperar, diante de um momento oportuno para se vingar, “retribuir” com medida abruptamente esmagadora aqueles (seus irmãos) que o “mutilaram” de ser e de alma, este homem irrepreensível perdoou seus expropriadores e os acolheu com bondade e favor. Salvando-os da fome que assolava todos os povos da época (Gênesis 41), deixando-nos um legado de misericórdia, compaixão e graça que se dá não em compêndios teológicos, mas que se internaliza nas camadas mais profundas do ser e se evidência na vida, exalando o bom perfume da graça de Cristo. Com a vida de José aprendemos quando o sofrer faz bem a alma e ao coração. José dá um re-significado de como viver sofrendo injustiças das mais diversas fontes e das mais derivadas camadas, quer sejam traições, tramas, calúnias, difamações, cobiças, invejas, ciúmes, porfias, aprisionamento, maltrato, expropriação, etc. E ainda assim, agradar a Deus. José na verdade é um retrato minúsculo do nosso Senhor Jesus Cristo no livro do Gênesis. Pois Cristo passou por situação muito pior e perdoou a todos aqueles que o maltrataram e ainda se entregou como sacrifício único para a salvação da alma e do ser de cada um deles para libertá-los das amarras do pecado, e livrá-los da punição dos mesmos.

Através do Deus que Se revela como LHE apraz aprendemos por meio do seu filho (José/Jesus Cristo), que em meio às dificuldades que nos afligem; das injustiças que nos assolam; dos temores que nos apavoram; das desilusões da vida; dos traumas que nos tiram o sono e paz; das falsas acusações que nos rodeiam; daqueles que nos perseguem e nos atormentam há esperança. Podemos olhar para José e lembrar-nos que ele é uma tipificação de Cristo. Um bálsamo da compaixão divina derramado graciosamente sobre a pele e que vai se espalhando e infiltrando no ser atingindo a consciência e ao coração. Com José a lição retida é quando o sofrer faz bem a alma e ao coração.

Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito.” (Gênesis 45.8).

Deus usa pessoas e circunstâncias para nos deixar mais parecidos com Jesus Cristo!
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