Marina se destaca por sua inteireza ética

Marina se destaca por sua inteireza ética

Eleições é tempo de baixarias e de muitas promessas. As promessas, disse-o um dia um dos candidatos à presidência e derrotado, são para ganhar voto e não para serem cumpridas. E continua: depois, se a gente ganhar, vai ver o que faz. Essa visão é a dominante e mostra o lado corrupto da política como busca do poder a qualquer custo e não a busca da vitória do melhor projeto para o povo em perspectiva nacional e internacional.

Como é diferente a Marina. Tem se destacado por sua inteireza ética. Nunca se nivela aos que a atacam e até caluniam, dizendo, por exemplo, como li, que se ganhar vai perseguir a Igreja Católica e acabar com as comunidades eclesiais de base, de onde veio e com quem ainda caminha até os dia de hoje porque na sua evolução espiritual se fez evangélica. Não foge de nenhuma pergunta. Lamenta a falta de debates. E nos debates não se colocam as questões centrais que vão se agravar de modo acelerado como a situação global do aquecimento, a falta de água, os refugiados climáticos que serão em poucos anos entre 150-200 milhões, a importância do Brasil para o equilíbrio da Terra, para as energias renováveis, para a produção de alimentos, pois é o pais no mundo que maior volume de terras agricultáveis ainda livres possui e por ai vai.

Marina é voz solitária. Mas a verdade está do lado dela. E a verdade tem força própria. Nada mais forte do que uma idéia quando chegou a hora de sua realização. E essa hora está se aproximando. Dai a importância de a Marina estar lá e nós junto dela. O tempo do relógio corre contra nós e não há muita sabedoria na humanidade. Pelo contrário, reina a irracionalidade mais insana dos mercados que ainda continuam, agora até com mais virulência, a especular, quer dizer, a fazer dinheiro com a enganação e a manipulação das crises dos vários países como a Grécia, a Espanha, a Irlanda e dentro de pouco, a Itália e não excluída a França e a Inglaterra. Eles são como Saturno, da mitologia grega, que comia os próprios filhos, tão bem representado por um quadro famoso do pintor espanhol Francisco Goya mostrando Saturno devorando um braço do próprio filho. Pois assim bárbaro é o sistema do capital especulativo.

Marina está longe disso. Quer uma política para um Brasil solidário, que se constrói a partir de baixo e de dentro para fora, contrário à ordem que a política mundial nos quer submeter. Ela representa o novo, uma política do novo paradigma, adequada ao século XXI. Os outros, em termos de paradigma, não se distinguem. Em termos do crescimento que pretendem acelerado é a disputa entre o velho e o atrasado, como se nada tivesse acontecido com a Terra, com seus recursos, com sua sustentabilidade posta em risco, com a derrocada das velhas fórmulas neoliberais que nos levaram à beira do abismo.

Marina pensa o hoje e o amanhã com outros conceitos de sustentabilidade, de desenvolvimento que inclui dimensão do crescimento material mas vai muito além na direção da dimensão social, cultural, humanitária, ética e espiritual (dos valores que dão sentido à nossa vida para agora e para o além), de cuidado por tudo o que existe e vive, de responsabilidade pelo nosso futuro comum, do Brasil, da Humanidade e da Casa Comum, a Terra. É outra paisagem, que funda grande esperança dentro de um cenário sombrio e ameaçador para todos. Precisamos confiar nesta seringueira, nessa cabocla predestinada, nesta mulher frágil/forte que carrega sobre si o destino de todo um povo. Não queremos deixá-la sozinha. Temos que nos associar a ela para faremos juntos esta bela e promissora caminhada.

Leonardo Boff, 30 de julho de 2010.

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