PASTOR, ACHO QUE ESTOU FICANDO TARADO! - Parte IV

Ora, você pergunta:

O que isto muda?

Começa por deixar você em paz na neurose de que é você quem vai agradar a Deus pela via da Lei. Prossegue na certeza de se estar em paz com Deus por meio de Cristo (Está pago!). E conclui dando paz para que a pessoa busque sua nova inclinação (Rm 8), visto que a nova inclinação só se inicia se o indivíduo estiver em paz com Deus.

Ora, esse é o Vazio.

Esse é o Vácuo que ninguém aceita.

Fica esse aparente espaço entre quem eu sou e aquilo que Cristo fez por nós; e esse espaço é a vida cotidiana, na qual eu sou quem sou, embora creia que por causa de Cristo sobre mim já não paire condenação.

O que aqui, escrito num texto, não toma espaço, na vida é um grande Abismo. É aí que a maioria pára. Confessam-se pecadores. Dizem que crêem no que Cristo fez por nós. Mas, então, voltam à lei para se santificar e poder agradar a Deus, e, assim, não pulam na fé, não dão o salto, e voltam para uma quase-graça, para uma quase-cruz, para uma quase-benção, para um quase-evangelho, e para uma quase-vida.

O que não se entende é que para usufruir pacificação que vem da nova inclinação, a pessoa tem que se aceitar justificada pela fé; embora, em sua vida e pulsões, ela, muitas vezes, encontre uma outra tendência.

Se se enfrenta essa tendência natural que se exacerbou em todos nós pela Lei (como Paulo declara) com as força da Lei, a gente morre em culpa, medo, e angustia. Mas se se crê que em Cristo já se está justificado, embora sejamos injustos e pecadores, inicia-se um processo inesperado.

Ao invés disso gerar frouxidão, isso gera uma nova inclinação, uma nova vontade, e uma nova força.

E por que?

Ora, é que as forças do ser já estão liberadas da angustiosa e invencível batalha pessoal contra o pecado como algo a ser vencido pela Lei ou por mérito próprio; e, assim, livre desse temor e desse conflito infindo, a alma descansa em paz, embora se saiba pecadora.

E, é justamente aí que o benefício do Evangelho começa a se existencializar como bem de paz para o coração.

Desse modo, existe um abismo entre a certeza da minha condição como pecador não-auto-redimível, e o benefício da justificação pela fé.

E, para que se salte para o outro lado, para o descanso, a pessoa não tem que apenas acreditar na “doutrina da justificação pela fé”.

De fato, é muito mais do que isto...

Sim, a pessoa tem que confiar; tem que se tornar como aquele homem cara-de-pau acerca do qual Paulo falou em Romanos 4, que não trabalhou o dia inteiro, mas que apareceu no fim do dia para receber a recompensa; recebendo-a apenas porque creu que o Senhor é bondoso.

Esse é justificado pela fé... E, assim, não vive na vagabundagem, cada vez fica menos vagabundo, mas a sua não vagabundagem progressiva jamais será uma moeda de troca entre ele e Deus, pois, ele sabe, que com Deus não há barganha.

Assim, ele cresce em virtude, mas essa virtude não se chama de virtude, ela apenas se percebe como vida e paz.

Há muita gente neurótica com o pecado.

Há muita gente pregando a justificação pela fé e santificação pela Lei.

E, por esta razão, o bem do Evangelho nunca se consuma como paz para a grande maioria. Posto que o Benefício vem da confiança.

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