DIVÓRCIO - CAIO FABIO


DIVÓRCIO -CAIO FABIO


Eu sou um homem divorciado.

Tem gente que pensa que porque me divorciei eu advogo o divórcio. Pelo amor de Deus!

O divórcio é uma droga, é horrível. Dói nas entranhas, arrebenta você todo. Só advoga o divórcio quem nunca provou um ou quem passou por um divórcio da maneira mais leviana possível.

Porque não basta que a Palavra nos diga que o divórcio é apenas uma amputação para salvar o ser de uma doença maior, e é só em casos extremos que se recorre a ele como medicina, mas não é, de modo algum, uma proposta de existência.

Não significa: “Olha, se não deu certo, parte pra outro, e vai partindo, vai partindo...” Não. O indivíduo tem de fazer o possível para salvar o que tem. Só não dá para ficar se não der para suportar; se a alma estiver morrendo! Isso é uma coisa.

Outra, porém, é fazer do divórcio uma proposta de vida. Quem faz dele uma proposta de vida é, em geral, aquele indivíduo que tem uma determinada condição pessoal e quer justificá-la.

Então cria uma doutrina para justificar sua condição pessoal e sua doutrina passa a ser um ensino que induz outros para a mesma coisa. E isso é um perigo terrível!

E cada um precisa tomar muito cuidado, prestar muita atenção — porque a tentação da autojustificação é enorme — para não fazer com que a sua condição de fragilidade pessoal ou da sua natureza se transforme num projeto de sedução para os outros.

Se você tem o seu problema, viva o seu problema. Não transforme o seu problema numa causa.



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