Prisão Pollsmoor - Crescendo em graça... II

Presídio de Pollsmoor nos arredores da Cidade do Cabo

Permitam-me que lhes conte sobre minha visita seguinte a Joanna, logo depois de deixar vocês em 2006. Ela me levou para dentro da Prisão Pollsmoor - eu soube depois que isso é surpreendentemente difícil para um estrangeiro que não tenha cometido um crime. Juntamente com os atores ingleses que me acompanhavam, realizamos um culto para os detentos. Trezentos homens estavam presentes, e Joanna saudou nominalmente a maioria deles. Naquele dia, pelo menos, eles foram tratados com respeito, como seres humanos, e não como números. Cantamos, os atores representaram, eu falei, e os prisioneiros tiveram um momento de oração para todos os que fossem julgados naquela semana. Depois Joanna nos convidou a ver uma das "celas cristãs", uma parte da prisão reservada para aqueles que aceitam um rigoroso programa de formação espiritual.

Descemos por corredores subterrâneos de concreto semelhantes a masmorras. Uma indicação "Exclusiva para bandidos" marcava algumas celas, o jeito adotado pela prisão para isolar membros de gangues do resto da população. Havia homens que assobiavam para as mulheres, batendo sua caneca contra as grades. Eu mal podia acreditar no abarrotamento da prisão: oito mil prisioneiros forçados a ocupar o projetado para quatro mil.

Quando os guardas abriram a porta maciça da "cela cristã", o fedor quase me derrubou. Num espaço mais ou menos do tamanho de meu escritório viviam cinquenta homens, que usavam beliches triplos e retalhos de espuma sobre o chão para dormir. Um único vaso sanitário para todos explicava o cheiro. Havia roupas molhadas penduradas nos beliches, e o ambiente fechado parecia uma sauna, apesar do frio lá fora.

Alguns dos detentos apresentaram perguntas sobre a atividade de escrever, uma das poucas permitidas na cela. Disseram-nos que ficam fechados em suas celas o tempo todo, exceto uma hora por dia, quando podem dirigir-se ao pátio de exercícios. Respondemos às perguntas deles, os atores fizeram uma breve representação na sala abarrotada, e depois Joanna perguntou se algum dos internos gostaria de contar sua história.

P.S: Trechos retirados do Livro - Para que Serve Deus: Em Busca da Verdadeira Fé de Philip Yancey, Capítulo 6 - O grupo mais improvável, Palestra: Crescendo em Graça, páginas 161 e 162.
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