Tanto faz...






É triste quando dentro de nós o que havia era admiração e agora um tanto faz, antes carinho e agora indiferença, antes perfeição e agora não se sabe o que, é por isso que não devemos trilhar os passos pela ideologia greco-romana ela é hostil, perversa, "ama" ao mundo e "sonha" o universo, e ao mesmo tempo é incapaz de ver quem lhe é mais íntimo, vestir uma peça de roupa ou tomar um copo com água é menos indiferente que dividir o mesmo corpo, não são as lógicas ou as ordens das coisas que se perderam, mas os princípios que já não são mais, mas simplesmente por se tratar de ser como as coisas são, ao menos esta é a justificativa politicamente correta que costumeiramente se ouve por aí.


De um jeito veio e de outro se foi, não é com os sentimentos dos outros que não nos importamos, sentimentos são confabulações, o que, ou melhor, com quem não nos importamos é com o outro mesmo, e daí podemos queimar o nosso próprio corpo, vender todos os bens, viajar e viajar por este país e para onde se desejar fazer e realizar inúmeras obras e atividades de desencargo de consciência e chamar isso de responsabilidade social, consciência existencial ou qualquer outra desculpa, o mais saudável é ser saudável com todos e com tudo, é falar a verdade e tratar com verdade quem sempre buscou agir com verdade, o pior mal que fazemos a alguém não é fazer o mal é deixar de fazer o bem estando no alcance fazê-lo, o modo mais deplorável de se crescer na vida é puxando o tapete do outro, também não é saudável fazer uma aliança ou laços com alguém e depois transformá-lo em nó, e não assumindo a responsabilidade ainda querer se vitimizar e levar o outro a se sentir culpado por culpa que não tem, e mais, quando tudo poderia ser mais simples e menos doloroso, sem culpas ainda que existissem os feridos, mas temos esta doentia necessidade de ter que se sentir culpado, parece que para sentir alegria obrigatoriamente tem que sentir dor, olha a ironia "sentir dor para desfrutar do prazer", isto não é alegria, é patologia.


Não sejamos egoístas, escutando e se tornando conhecedor do que é mais íntimo do outro, deixando-o se envolver mais e cada vez mais, e de modo muito egoísta, muito malévolo ficarmos caladinhos fazendo os nossos planinhos aos pouquinhos e depois simplesmente despedirmos o próximo como um patrão faz com seu funcionário quando este já não lhe é mais útil, enquanto lhe era conveniente e satisfazia todos os seus prazeres, desejos e vontade tal funcionário era o melhor, o mais lindo, o mais perfeito, quando já não satisfazia mais as atrocidades que dormiam na caverna da alma doentia do patrão, o pobre funcionário recebe apenas o típico pedido canalha de desculpas e "ganha" o que tem por direito, se é que se sabe bem o que se tem por direito.


Não tratemos aquele a quem ofendemos como se nada tivesse acontecido, o certo é olhar no olho, pedir perdão, ser fraco e reconhecer: "eu pequei, não tive a intenção, mas fiz uma grande besteira, fui egoísta, pensei apenas e exclusivamente em mim, ignorei que existisse alguém ao meu redor, ou pior, dentro de mim, de repente só enxerguei a mim e a mim, mesmo que eu tenha feito juras, promessas, me envolvido dos pés a cabeça com planos, ideias, "sonhos" dos quais muitas vezes eu fui o maior incentivador, o grande mentor e é verdade que no meio do caminho eu fui me tornando duro e seco como uma pedra ainda que todos inclusive quem estava mais próximo só me enxergasse como uma flor, quando na verdade eu estava muito mais para pedra ou no máximo espinho". Isso fará bem, livrar-se de si mesmo, pois ao invés de se perder para se encontrar é mais saudável deixar de comer nuvens e colocar os pés no chão da vida que é real a viver no mundo da lua vivendo de ilusão e projeção. A pior maneira de se doar e amar uma causa ou alguém é meio amar, é fazendo, fazê-la pela metade, não façamos um pouco de cada coisa, pois neste caso correremos o risco de sermos sempre meio, meio alguma coisa e nada, meio amor, meio profissional, meio amigo, meio estudante, meio meio, não existe isso, então é importante aprender a amar a si mesmo antes de amar a quem quer que seja, pois quem não ama a si mesmo não vai conseguir amar uma causa, amar ao próximo e muito menos acreditar e consequentemente realizar os seus sonhos.


É importante reconhecer os erros e equívocos cometidos no curso da existência, uma dose de culpa no sentido de senso de responsabilidade e consciência de que não somos perfeitos, não vivemos no universo greco-romano, e sim na realidade da vida que é nua e crua não é mal. Há sempre uma possibilidade para recomeçar, há como fazer das não oportunidades, oportunidades, e só assim teremos uma chance de amar de fato e de verdade e não de poesia e de sonhos que são belos na tela e no papel, justamente aonde a vida não acontece...



João Vicente Ferreira Neto




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