A fraqueza e a limitação são partículas do amor...



O comportamento mais letal dos dias hodiernos é o politicamente correto.

É tão devastador quanto a indiferença.

É o velho se disfarçando de novo.

É mais lastimável e doloroso que o ódio.

É o cúmulo do egoísmo.

É a inquietação antiga do âmago humano em satisfazer o seu bel prazer em detrimento da generosidade alheia.

É o lobo disfarçado de ovelha.

É saudável ser como o filho que disse ao pai que não faria aquilo que lhe fora exigido fazer, mas foi lá e fez, a ser aquele que prometera cumprir, e não o fez.

Reconhecer nossas fraquezas e limitações nos dá a possibilidade de irmos adiante.

Deixar de vivermos para realizar as expectativas dos outros em nós, para sermos quem de fato somos, fará bem não somente a nós, mas aqueles a quem amamos.

Não precisamos sucumbir aos desejos e anseios dos outros, especialmente quando conscientes das nossas fraquezas e limitações, a nossa capacidade para decepcionar e frustrar o outro é muito maior do que alegrarmos ou realizarmos as expectativas sobre nós lançadas.

O que me faz andar em paz e em liberdade é a consciência que tenho de que Deus me conhece melhor que eu mesmo, e que Ele melhor que ninguém sabe bem quais são as minhas muitas limitações e fraquezas, e o mais absurdamente maravilhoso é que Ele É gracioso, misericordioso, amoroso, perdoador, e insiste sempre em nos ajudar a recomeçarmos.

Hoje me deparei com um axioma belíssimo do Gabriel García Márquez: "Um único minuto de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade"

É essencial ter a consciência de que somos apenas trapos e retalhos, mas que nas mãos do Tapeceiro da Vida nos tornamos verdadeiras obras de arte.

Os erros, equívocos, dolos, tropeços, fraquezas, limitações, pecados cometidos ou sofridos no curso da existência servirão como adubo, sustentáculo, alicerce, degraus, impulso para irmos adiante, e se nos descobrirmos como medianos, se nos descobrirmos como mais um em meio a multidão que possamos desenvolver e viver a praxe existencial, o propósito do viver do personagem Forest Gump que sabia fazer apenas uma coisa: AMAR!

Assim me volto para outro ensinamento proferido por Agostinho: "Nas coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, liberdade; e em todas as coisas, o amor".

Amor que para mim, tem sua "definição" em Cristo, e naquela resposta clássica de um casal de idosos que completavam longos 70 anos de unidade amorosa. Quando questionados sobre o segredo do amor, a razão pela qual estavam juntos por tanto tempo. E a resposta: "Não há um segredo, não há um porque, quando se explica o amor, pode-se viver tudo, menos o amor, o amor não tem explicação, ele faz parte da nossa pele, é vivendo que se sabe o que é amar, e ser amado".

Coisas simples que tivemos a oportunidade de aprender são essenciais para nos livrarmos do comportamento politicamente correto, aquele que aparentemente quer agradar a gregos e troianos, mas que nada mais é que o massagear do nosso ego, e as coisas simples são: lealdade, honestidade, verdade em amor e amor em verdade, reconhecimento consciente e comportamental das nossas fraquezas e limitações, aprendizado nas derrotas e perdas no decorrer da vida, pagar o mal com bem, "vingar" o ódio recebido com amor, e a indiferença sofrida com a compaixão enternecida e silenciosa, apenas vivenciada nas pequenas atitudes, nos pequenos gestos, certamente não mudaremos o mundo, mas podemos começar escolhendo mudar a nós mesmos, assim nos tornaremos conscientes de que tanto a fraqueza quanto a limitação são partículas do amor que nos proporcionará um viver saudável e em paz.

João Vicente Ferreira Neto



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