Gera Ação? Ou geração que gerou o que?


Tive a "experiência carismática" ainda no catolicismo, lá cheguei a ser ensinado a "orar em línguas".

Quando sai de lá ao protestantismo o que me atraiu foi justamente à consciência do evangelho que desembocava na vida. 

À época foi tão sadio que aprendi a enxergar irmãos no catolicismo, pessoas que estavam dentro de um segmento religioso, mas que amavam o evangelho. O evangelho que liberta me libertou de mim mesmo primeiramente, e me levou a enxergar dentro do catolicismo muita gente crente (sem o sentido pejorativo) e sadia.

Mesmo tendo pouca idade e pouco tempo dentro de uma "igreja" histórica, ficou perceptível que de tradição, história e protestantismo se tinha muito pouco, do catolicismo carismático que advinha ao "protestantismo" que aderia via pouca diferença.

A razão, o propósito que me levou a mudar de local fora a exposição, a reflexão, o pensamento bem elaborado, mas isto em primeiro plano, assim mudei de espaço geográfico para só depois ter uma transformação de consciência, e a isto só consigo atribuir a graça de Deus. 

Que fique bem claro que com isso não defendo um sistema religioso ou um segmento de fé, pelo contrário, as escamas foram caindo e apenas constatei que haviam poucas diferenças entre um lugar e o outro, e que consciência do evangelho e ser preenchido por ele tinha haver com uma transformação interior que desaguaria em outras vidas.

É neste aspecto que creio que a conversão se dá em um momento que pouco sabemos explicar, mas sabemos que acontece, que é real, é algo místico, mas não é misticismo. Tem a mística que envolve a ressurreição como foi com/em Cristo, mas sem misticismo, sem superstição, sem crendices popular.

Nunca tive problemas com a música, pelo contrário, é edificante, gera alívio muitas vezes. 

Música por si só já faz bem, até a palavra é boa de se pronunciar e de se ouvir. 

Mas até ela esta sujeita a degradações e empobrecimento.

Por tal razão nunca consegui me adequar aos mantras, ladainhas e choramingos, especialmente no seio religioso, era e é muito gemido sem dor, alegria ou gozo algum.

E coisa penosa é gemer por gemer, permitam-me, é tão desprezível quanto sexo por sexo, por mais que o ato seja prazeroso. 

Há quem diga que eu tenho o espírito de um velho pelo simples fato de gostar de músicas como: 

"Se paz divinal Tu me deres gozar
Se dor, a mais forte, sofrer
Ó, seja o que for, Tu me fazer saber
Que feliz, com Jesus, hei de estar
Sou feliz com Jesus
Sou feliz, com Jesus, meu Senhor"

Mas é que há uma história, uma razão, um propósito pela qual fora escrita tal canção, quase que uma oração, se é que não foi primeiro uma oração no coração e na consciência do compositor para depois se tornar uma oração cantada.

O que aconteceu com o irmão Caio Fabio D'Araújo Filho foi triste por um lado, e benéfico por outro. Triste, pois como afirmamos crer e viver em Cristo, desejar o bem e vivê-lo em todo tempo, deve ser nosso grande prazer e propósito de/na vida, nisto adoramos a Deus. Benéfico, pois nos deu a oportunidade de revermos as inúmeras fantasias e doenças que construímos e carregamos dentro nós, as construções dos nossos ídolos "vivos" que ao frustrarem nossas expectativas (expectativas geradas por nós e "nutridas" por eles), são por nós crucificados para sempre sem a possibilidade da ressurreição (isto é didático), mas sem o perdão (e isto é lamentável, é como escolher a morte ao invés da vida).

Hoje tenho 30 anos, cerca de 15 anos se passaram e a tal geração que dançou, "abalou, sacudiu, balançou, coração é só felicidade, é amor de verdade" não me atraiu, não me encheu/ram os olhos, não me gerou curiosidade, sequer deu um calafrio na espinha, e nem por isso me sentia mais, ou menos, espiritual.

Daí a razão de muitas e muitas vezes me sentir arrodeado de inúmeras pessoas, mas me sentir quase sempre, completamente sozinho.

O mais triste é enxergar quantos depositaram sua fé em coisas, em emoções vazias e banais, em circunstâncias e situações que nunca se concretizaram, e com o passar dos anos o amor foi esfriando, e como que em um momento de fúria atribuíram todas as decepções que passaram em quem pagou na cruz por todas as nossas culpas. Crucificaram a Cristo pela segunda vez, por causa das frustrações que experimentaram no ócio religioso. E se esqueceram que "ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados".

Daí me pergunto se tal geração é aquela que Gera Ação? Ou geração que gerou o que?

João Vicente Ferreira Neto

O texto que me inspirou, ou me motivou a escrever se encontra no link: http://poliscentro.com/blog/2014/03/07/voce-e-um-filho-da-geracao-que-dancou-uma-analise/

Observação: Imagem do POST extraída do link citado acima.
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