Lembram dos protestos do ano passado?

Lembram dos protestos do ano passado?

Lembram da multidão gritando que não é apenas 0,20 centavos?

Quem iniciou aquilo foi o "Movimento Passe Livre", depois uma massa que não sabe porque ali estava se ajuntou ao movimento, que pouco depois se pronunciou oficialmente se retirando daqueles outros movimentos.

"O pessoal do gigante acordou", quase que seus 90% não votaram na Dilma.

Lembram do jogo de abertura da Copa do Mundo?

Lembra daquele coro homenageando a presidente?

Aqueles lá também não votaram nela.

Daí já vi diversas postagens em tudo que é rede social com os dizeres: "Foram às rua protestar contra a corrupção, criticaram as obra da Copa, mandaram a presidente para aquele lugar, e agora a reelegem".

Gente, sinceramente ou vocês são muito inocentes ou não querem esforçar o mínimo necessário para pensar.

Somos quase 200 milhões de habitantes.

Quantos milhões foram às ruas?

E estes que foram representam quanto da população?

Os que foram à Copa e xingaram a presidente, representam quanto da população?

Muita gente se iludiu com a imprensa seja rádio, TV, jornal ou revista.

Se esqueceram das forças dos movimentos sociais e das militâncias, elementos os quais a esquerda é forte, vibrante e aguerrida, além de ter uma ideologia forte.

A atual oposição é frágil, raivosa, com divagações do tipo: "vote em qualquer um menos no PT". Como assim vote em qualquer um? Ou então: "vote no menos ruim", com aquela indução nada inteligente de que não se deveria votar no PT. E se na concepção dos eleitores ou da maior parte deles, ou ainda de uma parte mínima que fosse, mas suficiente para decidir uma eleição o "menos ruim" fosse justamente quem mais fez por quem mais precisava?

A mídia e a imprensa, juntamente com a oposição desprezaram três coisas cruciais nesta campanha: As redes sociais, às militâncias e a comparação entre as realizações de cada governo, está trindade foi letal aos oposicionistas.

Acreditar que os que foram às ruas e xingaram a presidente no estádio agora votaram nela é enganar a si próprio, pois estes votaram quase todos em Aécio, com o PT ficaram os militantes, os de ideologia formada, os reitores das universidades federais, os artistas (tidos como refinados e intelectuais do Brasil), uma minoria quase ínfima da imprensa, porém consolidada como é o caso do argentino brasileiro Ricardo Boechat, grande parte dos universitários dos cursos de humanas, e as classes e regiões que foram olhadas com mais atenção pelo partido dos trabalhadores.

Mentiras existiram em todas as campanhas ou baixarias, ou qualquer outro adjetivo chulo que você queira dar.

Minha percepção é que mesmo derrota Aécio sai fortalecido, especialmente para quem estava praticamente fora da disputada, dadas as tantas reviravoltas que tiveram está campanha, a derrota em Minas Gerais pode ser seu grande calo, e ele precisará ser atuante no Senado fazendo uma oposição consistente para ser um nome forte em 2018; Marina Silva talvez tenha enterrado sua candidatura para 2018, a neutralidade ainda seria o melhor caminho, mas só o tempo dirá, não consigo enxergar assim, mas talvez ela tenha feito a escolha certa; Dilma e o PT precisarão governar o país como nunca antes na história deste país, pois se ela teve 54 milhões contra 51 milhões de votos do Aécio, 7 milhões anularam ou votaram branco e cerca de 30 milhões se abateram ou justificaram seus votos. O PT só tem Lula se pensarmos em 2018, precisará criar alguém até lá, para que vença o próximo pleito a presidente terá que fazer uma grande gestão em um país que parece dividido e da pior forma possível.

Eu anulei meu voto, mas vou torcer e orar para que a Dilma e os demais vencedores possam verdadeiramente fazer uma gestão melhor nestes próximos 4 anos, para isso é preciso acompanhar todas as decisões e votações na câmara e no Senado federal, cada pronunciamento, decisão e passo da presidente, fazendo as críticas sempre que necessário e reconhecendo também os acertos.

Fico feliz pelo interesse de muitos brasileiros pela política neste pleito de 2014, o triste é que o interesse acontece da pior forma possível, sustentando pelo ressentimento e pelo ódio.

Paz a todos, e que o nosso interesse e propósito de construir uma país mais justo e igualitário, ou menos desigual seja todos os dias e não apenas de 4 em 4 anos.

João Vicente Ferreira Neto
Escrito e publicado no dia 27 de outubro às 01h13
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