Na simplicidade de seu olhar eu vi o amor e ele me gerou vida...




Para ser feliz se precisa de muito, muito pouco.

Eles não tem onde dormir, o chão sujo e as calçadas são suas camas e colchões...

Eles não tem o que comer, os restos jogados nos lixeiros são por eles selecionados para que possam a fome saciar...

A cola muitas vezes é remédio, remédio que ludibria a fome...

A água é fétida e suja, retirada dos esgotos, é forma de se banharem...

Do ponto de vista material, social, econômico eles nada possuem e nada podem oferecer...

Aguardam pelo aparecimento dos anjos noturnos que possam socorrê-los...

Mas não há ser que possa arrancar risos tão belos, tão leves e cativantes...

Não há quem possa retirar a alegria que eles possuem...

Mesmo tendo muito, muito pouco ou quase nada, eles me ensinaram que possuem muito, mas muito mais do que aqueles que muito possuem, mas nada tem...

Dona Maria, uma senhora negra, da pele marcada e sofrida pelo sol, mas de um olhar único, com suas íris verdes quase mel penetrou a minha alma e a encheu de ternura...

O cantor cantou que viu "a cara da morte e ela estava viva", na face de Maria e na simplicidade de seu olhar eu vi o amor e ele me gerou vida...

Para ser feliz se precisa de muito, muito pouco, "mas ninguém pode me ensinar", será? "Isto eu tenho que aprender sozinho", será?

Ambas as afirmativas e questões são válidas e uma não anula a outra, elas se completam...

O padre amava porque esta era a sua missão, Perla amava porque esta era a sua vocação, era a sua essência, eu quero amar como Perla!

João Vicente Ferreira Neto 
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