O-linda sem igual, você faz vibrar meu coração...


O-linda sem igual, você faz vibrar meu coração...


No carnaval de Olinda nunca se sabe onde e quando começará uma grande paixão, se será no Carmo, nos Quatro Cantos, na Ladeira da Misericórdia ou no Alto da Sé. 

Se será nas prévias, no início, durante O HOMEM DA MEIA NOITE ou no fim do carnaval, e quanto a tudo isso? - EU ACHO É POUCO! 

Meu "primeiro" carnaval em Olinda foi no ano de 1983. 

Sou fruto do ventre de uma recifense com um goianense, sou um matuto paraibano filho de pernambucanos, e isso é motivo de grande alegria. 

Não sei se fui feito nas prévias ou durante o carnaval, nasci no dia de todos os santos. 

Fato é que as duas canções mais populares e conhecidas no carnaval pernambucano expressam bem o anseio e o desejo do meu coração, da minha alma: "Olinda... Faz vibrar meu coração" e "Voltei, Recife. Foi a saudade que me trouxe pelo braço". 

Me encanta a forma como escrevia o mineiro de Boa Esperança nascido em 1933, disse ele certa vez que "a saudade é nossa alma dizendo para onde ela quer voltar". 

Olinda símbolo da diversidade é dona do maior e mais democrático carnaval de rua do mundo, do carnaval mais lindo do mundo, O-linda tu fez do meu "Coração-bôbo, Coração-bola, Coração-São-João" que "se ilude, dizendo: Já não há mais coração" pipocar "dentro do peito" ao ritmo de SAMBADEIRAS nas ladeiras até chegar a Casa México Peru, a melhor casa do Brasil. 

Naquela casa tinha de tudo um pouco...

Tinha doida passista sinetinha do nariz mais lindo deste carnaval, tinha beba do coração grande, tinha cearense meu xodó, tinha Rico, tinha Diogo Carioca, mas que não era Nogueira...

Tinha rainha do estandarte, tinha o faz de tudo Tauan mestre churrasqueiro, tinha Paulo chamado por alguém de Kid, puts, essa pessoa deve ter algum trauma...

Tinha "candanga" tatuada, Marina linda do Recife, loira diaba linda do Tocantins, e Flavinha também do Tocantins, ruivo de Alagoas, carioca sapo que acordava falante pelas madrugadas com suas mordidas na cabeça alheia, tinha "índio" maconheiro, tinha Rafael com força...

Tinha professora de Batalha, tinha Mari dos gringos, e os gringos da Mari, tinha paulista do despertador que tocava sempre as 4h da matina (ah desgraça), e salve Gil de Maceió, tinha paulista Jesus Cristo, tinha Carol, Luana, Irina e Santiago...

Naquela casa tinha Val porra, precisa dizer mais alguma coisa?

Tinha gente de Maceió, na verdade quase 1/3 da casa, tudo gente boa, tinha gente gritando na rua logo cedo: "Olha o gelo", e tinha gente gritando dentro da casa: "Levanta, acorda que vai acabar o café"...

Recifense viking que confundia a Casa México Peru com Casa Cuba EUA, assim como confundia israelense com iraniano, tinha gringo que de dia era Frozen, e de noite era Devassa...

Tinha gente passageira que apareceu para mijar no cágado, tinha flintstones que dormiu sentado no sofá...

Tinha Gel, aquele amor de pessoa que alimentava toda gente, a ela todo carinho e gratidão,  tinha o guerreiro que levava as bebidas todos os dias pela manhã, tinha tia Ceiça a mãe mais vibrante do carnaval...

Na Casa México Peru teve paredão, eliminação, teve beijo, teve língua, teve gente sentando, quicando, subindo, descendo de uma vez, descendo devagar, teve escama de peixe, vai malandra, falta de água, só não teve o tal do Glu, ainda bem, graças a Deus. 

De Devassa a Vodka com Pitú e Tang de Limão e Tangerina que fez cego enxergar, aleijado andar, bloco desfilar, gente chorar, e claro, vomitar até os bofes. 

Naquela casa tinha paixões, Olinda é paixão por si só...

Na México Peru tinha gente que quis se pegar, gente que se pegou, e gente que só após o carnaval conseguiu, e ainda há os que não hehehehe... 

Tinha Michael Douglas, e como diz o gago teve muita(s) lolololololoucuras de carnaval...

Tinha anja, tinha diaba, tinha limonada, soldado romano, imperador Júlio Cesar, malévola, teve bloco da lama, bloco pré-sal, mas igual o nosso nem a pau...

Teve gente tentando pular o muro, teve gente roubando latinha de "quem não tem pó cheira...", gente que foi só para dormir, gente que ainda está embriagada, até teve gente caindo quando já estava sentada, teve gente tomando banho de gato, e gente que até agora ainda não tomou banho, gente que repetiu refeição 4 vezes e ainda sente fome, eita casa engraçada, casa arretada e abençoada.

Ah Olinda, doce Olinda, teve sol, teve chuva, simplesmente O-linda "faz vibrar meu coração, de amor a sonhar, minha Olinda sem igual, Salve o teu carnaval..."

Que muitos outros carnavais possam vir...

Cada vez mais divertidos, fascinantes, apaixonantes...

Que o karma se transforme em coisa boa, e nessa vida de tantos encontros e desencontros, os reencontros aconteçam na Praça do Carmo ou na porta da Casa México Peru, e lá seja o início de tudo, e entre ladeiras e becos, nos passos de frevo pela Bonfim, desde os quatro cantos passando pela ladeira da misericórdia (ladeira dos amantes) até o Alto da Sé feito de paixões seja sempre o teu carnaval amante Olinda...

Sonhos são melhores sonhados quando vividos, eu costumo viver os meus sonhos, e durante uma semana eu sonhei acordado, a gente nunca sabe o que vai sentir nos reencontros da vida, que a saudade me leve de volta pelo braço, pois O-linda sem igual, você faz vibrar meu coração...

João Vicente Ferreira Neto
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